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Entenda o split payment e como ele vai mudar a rotina dos negócios no paísPublicado em 17 de setembro de 2026
Fazer compras ou vender um produto no Brasil sempre envolveu uma verdadeira maratona burocrática no fim do mês. Para quem tem um negócio, calcular quanto ficou para a empresa e quanto deve ir para os cofres públicos costuma demandar tempo, sistemas e o apoio constante de especialistas.
No entanto, uma das mudanças mais profundas trazidas pela Reforma Tributária promete transformar esse processo do zero. Trata-se do split payment, ou pagamento fracionado.
A ideia é simples na teoria, mas gigantesca na prática. Em vez de a empresa receber todo o dinheiro da venda e, semanas depois, emitir e pagar as guias de impostos, a divisão ocorrerá de forma automática. No exato instante em que o cliente passar o cartão, pagar via PIX ou transferir o valor de uma compra, o sistema bancário vai separar o que é faturamento da empresa e o que é tributo público, enviando a parcela do imposto direto para o governo.
Vamos entender melhor a seguir.
Como a regra funcionará no dia a dia
Na prática, o split payment atua como um filtro digital nas transações financeiras. Quando uma nota fiscal é emitida, ela gera um código que avisa ao sistema bancário a alíquota exata dos novos tributos — o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Se uma pessoa compra um produto de R$ 100, por exemplo, e a soma desses impostos equivale a R$ 20, a maquininha de cartão ou o banco responsável pela transação fará a divisão imediata: R$ 80 vão para a conta do comerciante e R$ 20 seguem direto para a conta do Fisco.
A intenção principal das autoridades é combater a sonegação e fechar as portas para o acúmulo de dívidas tributárias. Para o consumidor final, nada muda na hora de passar o cartão ou ler o QR Code. Para quem vende, por outro lado, a mudança é profunda.
Calendário de transição e quando entra em vigor
Embora o conceito pareça distante, o cronograma já tem datas para começar a sair do papel. O modelo passará por uma fase de testes e implementação gradual ao longo dos próximos anos, acompanhando o período de transição da própria Reforma Tributária.
Agora em 2026, o sistema começa a fase de testes com alíquotas simbólicas para calibrar a tecnologia dos bancos e da Receita Federal. O uso definitivo e em larga escala deve ganhar força entre 2027 e 2033, à medida que os impostos antigos (como ICMS, ISS, PIS e Cofins) forem substituídos gradualmente pelo IBS e pela CBS. O objetivo desse prazo longo é permitir que tanto o setor financeiro quanto o comércio consigam ajustar suas ferramentas sem solavancos.
Mudanças para o empresário e o pequeno negócio
A principal vantagem apontada pelos defensores do split payment é o fim da papelada e a redução expressiva da burocracia. Acaba a necessidade de gerar dezenas de guias de pagamento ao longo do mês e o risco de esquecer uma data e pagar juros.
Por outro lado, o grande desafio para o empresário será a gestão do fluxo de caixa. Hoje, muitas empresas usam o dinheiro total das vendas ao longo do mês para pagar fornecedores ou custos operacionais, quitando os impostos apenas na data de vencimento.
Com a retenção instantânea, o valor do tributo não chegará nem a pisar na conta da empresa. Isso exigirá um planejamento financeiro muito mais rígido para evitar surpresas na hora de honrar os compromissos diários.
Papel dos profissionais contábeis
Para os contadores e escritórios de contabilidade, a chegada do split payment não significa menos trabalho, mas sim uma mudança completa no perfil de atuação. O trabalho focado na digitação de guias e no cálculo repetitivo de tributos dá lugar a um papel muito mais estratégico e consultivo.
Os profissionais contábeis serão fundamentais para orientar os clientes no ajuste de seus softwares de venda, garantindo que o enquadramento fiscal e a emissão das notas estejam perfeitamente corretos. Como o imposto será recolhido na hora, qualquer erro na nota fiscal poderá reter um valor maior do que o devido. Por isso, a parceria entre o empresário e o contador se tornará ainda mais próxima, garantindo que a tecnologia trabalhe a favor da empresa, e não contra o seu caixa.
Trata-se de uma verdadeira virada de chave na cultura fiscal do país. A expectativa é que o split payment traga mais transparência e agilidade para a economia, mas o sucesso dessa nova era dependerá do preparo e da capacidade de adaptação de cada negócio.
Fonte: Jornal Contábil
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